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Por que o professor ensina como ensina?

Daniela DUARTE, especial para a Página do PGLA.

 

        Dentro da grande área da Linguagem, a Linguística Aplicada ocupa-se de problemas envolvendo o uso da língua em contextos reais de várias disciplinas aplicadas, entre elas a do Ensino de Línguas. Um de seus ramos mais robustos é justamente o que trata da formação para o desempenho nos processos de ensino e aprendizagem/aquisição de línguas (AELin). Essa disciplina vigorosa e independente da Linguística Aplicada sustenta-se, pois, em três processos principais : o da formação de agentes, o do ensino e o da aquisição de línguas, estudados todos eles na perspectiva da filiação à Área Aplicada da Linguagem.
Almeida Filho (1993, 2012, 2016, 2017) organiza os processos de ensino na Operação Global de Ensino de Línguas (OGEL), que pode nos dar pistas sobre o por que o professor de um idioma o ensina do modo como o faz. O modelo se organiza a partir da abordagem ou filosofia de ensinar que orienta as ações do professor nas quatro fases materiais da operação, a saber, a do planejamento de cursos, a da escolha/elaboração de materiais, a dos procedimentos pelos quais experienciar a língua-alvo e, por fim, a da avaliação do progresso e da proficiência. Esse composto de concepções, que ainda incluem as competências de ensinar dos que vão ensinar, forma a filosofia de ensino e ocupa posto máximo na organização hierárquica do modelo ao oferecer posições conceituais anteriores às ações que orientam.
No núcleo dos conhecimentos que formam o ideário da abordagem estão as concepções de língua, de ensino e de como se adquirem línguas. Juntam-se a essas noções conhecimentos explícitos como teorias sobre ensino e aprendizagem de línguas, por exemplo, e também implícitos, tais como intuições, crenças, memórias, disposições a partir de experiências prévias, atitudes e afetividades. Todos esses elementos se reúnem numa configuração específica para cada professor, que o predispõe a ensinar de uma determinada maneira empoderada por competências numa dada configuração pessoal em cada caso.
A partir dessas ideias, desenvolve-se uma “compreensão subjetiva do professor acerca seu próprio ensino” (PRABHU, 1990). Dessa forma, pode-se dizer que à medida em que o professor explicita as concepções que formam sua abordagem, torna-se mais independente de um método, no sentido de um conjunto unificado de respostas para as principais questões do ensino (ALLWRIGHT, 1991). Em contraste com essa concepção de método, a abordagem compõe-se de um amálgama de ideias e concepções único para cada professor.
Apesar do aspecto individual da abordagem, podemos situá-la em um cenário maior que considera haver duas grandes macro categorias de abordagens contemporâneas atuantes no campo de ensino de línguas. O professor que se alinha à macro abordagem formalista ou gramatical tem respostas para suas perguntas centrais (o que é língua, aquisição e ensino) diferentes daquelas do professor que se filia à abordagem comunicativa.
Enquanto o primeiro entende a língua como código, um sistema ordenado por regras que podem ser transmitidas formal e explicitamente, o último a compreende como ação social propositada que parte da interação para tecer sentidos e ao mesmo tempo propiciar aquisição. Dada a propriedade orientadora da abordagem, o ensino do professor gramatical é diferente do ensino do professor comunicativo. Ainda assim, não se pode dizer que são o mesmo que método, pois a abordagem se completa com outros aspectos mais complexos e particulares já mencionados.
Por último, cabe repontuar que a abordagem precisa de competências para passar à prática. A base de conhecimento das competências possibilita que as ações do professor se desenrolem embaladas por atitudes que uma abordagem completa fica capacitada a guiar professores no seu fazer. O modelo OGEL sintetiza em cinco as competências do professor de língua: a comunicativa, a implícita, a teórica, a aplicada e a profissional. Elas conectam o plano abstrato da abordagem às materialidades do ensino. Assim, podemos chegar a uma possível resposta à pergunta em questão: o professor ensina conforme orientação da sua abordagem, atuando para dirigir as ações possibilitadas por sua abordagem e competências.

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