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MODOS DE ENSINAR VISANDO À FLUÊNCIA NA SALA DE AULA DE LÍNGUAS

 

Laís Paula Soares PONTES, especial para a Página PGLA.

 

             São diversas as razões que nos movem a adquirir uma nova língua, seja para realizar atividades de lazer, seja para obter maior acesso à vida acadêmica, para alcançar  melhor desenvolvimento profissional ou por questões afetivas e culturais. Há, entretanto, uma razão maior, que possivelmente, impulsiona todas as outras: o desejo de alcançar a fluência na língua-alvo escolhida. A capacidade de uso da linguagem abre portas de possibilidades para a inserção do falante a múltiplos contextos sociais de comunicação que envolvam essa língua.

             Em contrapartida, o ensino ofertado na grande maioria das escolas de idiomas no Brasil ainda prima pelo ensino que promove a aprendizagem (RÍVIA & VIDOTTI, 2007) e não a aquisição, embora essas escolas também almejem que seus alunos consigam desenvolver uma boa competência comunicativa.

         Tal incongruência pode ser justificada pelo fato de termos um ensino de línguas historicamente amparado pela organicidade gramatical, conforme apontam as autoras Rívia e Vidotti (2007). Por se apoiarem no peso que a tradição gramatical confere à prática, muitos professores, alunos e terceiros agentes (diretores de escolas, autores de livros didáticos, pais de alunos) acreditam que o bom ensino deva ser planejado para aprendizagem, isto é, para a consciência da forma, como se esse processo de monitoramento da estrutura linguística fosse necessário e suficiente para o aprendente alcançar fluência.

              Ser capaz de falar e escrever sobre uma língua não significa ser capaz de falar essa língua.  Ao fazer a distinção entre aprendizagem e aquisição, Krashen (1982) afirma que a última é um processo de internalização subconsciente de uma dada língua da qual o aprendente faz uso de regras gramaticais na comunicação sem, necessariamente, precisar saber dizê-las. O autor acrescenta que o professor interessado em realizar um ensino favorável à aquisição e, por conseguinte, ao desenvolvimento da fluência nos aprendizes, não precisaria se filiar a métodos pré-montados ou buscar recursos complexos, mas deveria, acima de tudo, propiciar situações de uso real da língua entre os alunos, pois “[…] a aquisição ocorre quando a língua é usada para o que ela foi feita, a comunicação” (p.1).[1]

            Almeida Filho (2011) reforça que a aquisição gera fluência e é duradoura, enquanto a aprendizagem pesa muito à mente e logo é esquecida. Nesse sentido, o professor cuja abordagem e formação se voltem a um ensino deliberadamente planejado para a aquisição deve priorizar a intensa vivência na língua, não de qualquer maneira, mas de forma significativa para a vida do aprendente. Essa perspectiva de abordagem redefine o papel do aluno para maior protagonismo no desenvolvimento de todas as quatro fases que compõem o modelo da Operação Global do Ensino de Línguas (OGEL): o plano de curso, a seleção e produção do material didático, as experiências de ensino e, também, a avaliação de todos os processos e dos resultados da aquisição (ALMEIDA FILHO, 1993).

              A informação sobre propósitos proporcionada pela consulta ao aprendiz atende a um grande critério para o ensino comunicativo e minimiza possíveis aspectos que podem, negativamente, abalar a sua afetividade no contexto de ensino de línguas e, consequentemente, bloquear oportunidades de aquisição. Por isso, no ensino comunicativo, as aulas não são planejadas a partir da explicitação ordenada de pontos gramaticais, mas, sim, de temas e tópicos interessantes ao aluno. A elucidação da forma não é proibida, mas realizada brevemente somente quando o aprendente demandar necessidade. A mostra de insumo na língua-alvo deve ser suficientemente compreensível e ao mesmo tempo, um pouco além do que o aprendiz é capaz de compreender, de tal modo que se sinta instigado a adquirir mais língua. Esse processo é referido por Krashen (1982) como a fórmula I+1 (insumo um pouco acima do presente estágio de compreensão em que aprendente estiver).

             A busca contínua pelo aperfeiçoamento profissional e reflexão a partir de Teoria relevante e adequada para a área do Ensino de Línguas, na perspectiva da Linguística Aplicada é crucial para o professor ganhar maior consciência de sua própria abordagem e ser capaz de garantir qualificadamente a operacionalização de modos de ensino que visem à fluência na sala de aula de línguas. Garantir um ensino de qualidade que ambicione aumentar chances de aquisição é promissor, possível e necessário, mas não suficientemente determinante quando se considera que o processo de aquisição na mente do aprendente não está sob controle do professor e do seu ensino. Guiado por esse raciocínio, numa visão um pouco pessimista, Prabhu (2003) intitula seu artigo com a frase: “ensinar é, no máximo, esperar que o melhor aconteça. ” Com o intuito de melhor representar a realidade do Ensino de Línguas como área científica, essa frase poderia ser reformulada a partir da seguinte afirmação: ensinar é fazer o melhor possível pensando que pode ocorrer aquisição e esperar que ela aconteça!

   Brasília, 11 de julho de 2017.

Referências

ALMEIDA FILHO, J. C. P. Dimensões Comunicativas no Ensino de Línguas.

Campinas, SP: Pontes, 1993.

ALMEIDA FILHO, J. C. P. Fundamentos de Abordagem e Formação no Ensino de

  PLE e de Outras Línguas. Campinas, SP: Pontes, 2011.

KRASHEN, S. D. Principles and Practice in Second Language Acquisition. Oxford:

Pergamon, 1982. Cap. 1, p.1.

PRABHU, N. S. Ensinar é, no Máximo, Esperar que o Melhor Aconteça. Tradução de

Luciene M. Garbuglio Castello Branco e Maristela M. Kondo Claus. In: Horizontes de

Linguística Aplicada. Brasília: Editora Universidade de Brasília. Ano 2. n.. p.83 – 91, 2003. Original inglês.

RÍVIA, D.; VIDOTTI, J. J. V.  O Ensino de Línguas Estrangeiras no Brasil – Período

  de 1808-1930. Revista HELB, Brasília, n.1, 2007. Disponível em

<http://www.helb.org.br>. Acesso em 07 Jul. 2017.

[1] […] language acquisition occurs when language is used for what it was designed for, communication (KRASHEN, 1982, p. 1). (Tradução minha).

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One comment

  1. EDNA CRISTINA DOS SANTOS MOITINHO

    Parabéns! Boa reflexão sobre o ensinar e o aprender uma nova língua.

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