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PERFIL DE SUCESSO DE UMA JOVEM APRENDIZ ADQUIRINDO INGLÊS NO DF

 Márcia Gonçalves Pinheiro, especial para a Página PGLA.

Esta é uma reflexão sobre o relato breve de uma aluna com sucesso na aquisição de uma segunda língua (inglês) a partir de observações feitas sobre o processo dela durante um semestre letivo e com o auxílio da gravação de uma aula. Essa aluna está no primeiro semestre do curso “ESPECÍFICO” que tem um total de seis semestres, no Centro Interescolar de Línguas de Taguatinga (CILT) ou seja, está no nível básico (ver definição de Nível Básico no Glossário Digital de Linguística Aplicada/Área de Ensino de Línguas em www.pgla.unb.br). A turma em questão tem 16 alunos frequentes. Resolvi relatar o perfil dessa aprendiz por estar ela inserida numa classe bastante motivada para adquirir uma segunda língua e ainda assim ela se sobressair entre os colegas de sala. Exporei em seguida as minhas observações sobre excertos relevantes da gravação de uma aula de que participa a estudante objeto desta análise, que ilustram as razões pelas quais a adquirente se destaca entre os colegas que também podem ser considerados bons aprendentes.

A aula foi gravada em áudio num aparelho celular e isso foi inicialmente explicitado posteriormente aos alunos para que não houvesse interferência de fator negativo do filtro afetivo no que concerne ao bloqueio de participação durante uma aula gravada e para preservar a espontaneidade. Houve acordo e consentimento de todos para que se pudesse analisar o conteúdo da aula gravada. Essa aula foi observada e registrada ao término do semestre no dia 22 de novembro. A essa altura, já havia uma interação positiva entre alunos e professora. O tópico da aula gravada foi o das rotinas diárias e, consequentemente, o conteúdo incluía o presente simples.

Para iniciar esse relato quero ressaltar alguns aspectos do perfil dessa aluna que possui várias características do bom aprendiz de línguas conforme estabelecidas inicialmente por Joan Rubin e H.H. Stern, ambos em 1975. Faço aqui uma referência mais direta ao trabalho de Fernández López (2005) citando outro texto clássico de autores nesse tópico como o são Neiman, Frölich e Stern (1978), associando essa aluna às características do aprendiz com sucesso. Relaciono alguns itens a seguir:

  1. No começo do semestre ao se referir ao fato de aprender inglês ela disse possuir uma necessidade consistente: atua como modelo e tem consciência de que o inglês funciona como uma espécie de língua franca na profissão. Em qualquer lugar em que trabalhe sobreviverá se conseguir se comunicar bem no idioma.
  2. Consequentemente, ela tem uma atitude positiva em relação à nova língua e cultura e capacidade de se adaptar a novas situações.
  3. Ela crê que é capaz de aprender a nova língua, é bastante participativa, confiante e sempre esclarece dúvidas apresentadas por colegas.
  4. É capaz de responder a situações de aprendizagem sem ansiedade ou inibição. Sempre após uma prática interativa faz questão de iniciar as apresentações “vamos logo, senão ninguém começa”.
  5. Aproveita todas as oportunidades para usar a língua que aprende. Esforça-se por fazer as atividades em inglês e chama a atenção dos colegas com os quais interage falando inglês. Além da sala de aula ela faz uso de sítios da internete e tem um aplicativo no celular para melhorar o inglês. Tira fotos de ilustrações que considera importantes durante a aula (reproduzidas por meio de powerpoint), por exemplo, e depois as imprime em casa colando-as no caderno.
  6. Tenta transmitir mensagens ensaiando diferentes enunciados. Por exemplo, com sinônimos “teacher, leave equals go home?” Está sempre disposta a se arriscar. Não se deixa incomodar por comentários de colegas, parecendo até que não os ouve, pois não os contesta e segue adiante.
  7. Realiza inferências e intui ou advinha o que não conhece. Por exemplo, quando numa aula se falou sobre refeições e a professora pediu exemplos de sobremesa ela a princípio não sabia o que era “dessert”, mas ao dizer o lugar dessa parte da refeição, ou seja, após o almoço, disse “ah, ice-cream” e ajudou os outros alunos a contribuir com outros tipos de sobremesa.
  8. Tem atenção à forma: sempre esclarece dúvidas e faz, sistematicamente, todas as tarefas designadas para casa tanto orais quanto escritas.

Na aula gravada sobre rotinas, também houve um momento de apresentação preparatória para o projeto final. A apresentação dela consistia em falar sobre uma pessoa famosa da Alemanha. Fez uma breve introdução sobre a celebridade, uma modelo internacional conhecida. Conduziu a apresentação de uma forma compreensível aos colegas utilizando ilustrações projetadas no televisor e terminou agradecendo a todos pela atenção.

Uma outra característica bastante pertinente nessa aluna são as estratégias sociais das quais faz uso frequentemente. No CILT, os alunos sempre se sentam em forma de “U”. A partir do segundo semestre do ano anterior as instalações provisórias em que funciona a escola para reconstrução do prédio, as carteiras ficaram sobrepostas na formação em “U”. Essa aluna sempre se senta próximo à mesa da professora. Mas nos momentos de interação durante a aula ela se posiciona prontamente para trabalhar com colegas criando oportunidades para praticar a língua e, ao mesmo tempo, cooperando com os pares para obter informações para solucionar um problema proposto.

Não poderia deixar de mencionar que essa aluna apesar de dar mostras de ser uma aprendiz com sucesso, ainda tem alguns ajustes a serem feitos para melhorar ainda mais o uso da língua que está adquirindo. Por exemplo, às vezes quer ser enfática ao fazer perguntas e acaba confundindo as palavras a serem enfatizadas em frases interrogativas em termos de entoação. Creio que à medida que o uso do inglês for se intensificando ela perceberá essas peculiaridades.

Concluindo, estes foram alguns aspectos e estratégias que pude observar nessa aluna que atendem aos critérios do perfil do bom aprendiz de línguas traçado pela pesquisa dos pioneiros. Essas características fazem-na se destacar entre os demais numa aparente grande estratégia para se apropriar dessa segunda língua posta para aquisição no contexto estudado.

 

Referências

ALMEIDA FILHO, JCP (Org.) Glossário Digital de Linguística Aplicada/Área de Ensino de Línguas. PGLA/UnB, WWW.pgla.unb.br, acesso 23 out. 2016.

LOBATO, J. S. & SANTOS GARGALLO, I. (Orgs.) VADEMÉCUM para la formación de profesores. Enseñar español como segunda lengua (L2)/lengua extranjera. Madrid: SGEL, Sociedad General Española de Librería, 2005. 1308 páginas.

RUBIN, J What the ‘Good Language Learner’ Can Teach Us, TESOL Quarterly, 1975.  9, 41-51.

STERN, H. H .What Can We Learn from the Good Language Learner? , Canadian Modern Language Review, 1975.

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