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O Ensino de Línguas de Herança

J.Carlos P. ALMEIDA FILHO, especial para a Página do PGLA/UnB

O ensino de uma Língua de Herança (LH) é uma especialidade do campo do Ensino de Línguas e se caracteriza como um contexto em que uma língua e a cultura a ela associada são ensinados a filhos de estrangeiros falantes dessa língua imigrados vivendo no exterior. O termo “herança” se refere ao desejo de preservação ou recuperação da língua e cultura de um povo ou etnia como capitais herdados de pais nativos ou quando pelo menos um deles é estrangeiro(a) residindo com a família num outro país. Há casos excepcionais, no entanto, em que um casal de estrangeiros de países distintos tendo residido num terceiro país por um longo tempo quer dar a seus filhos a oportunidade de aprender ou manter a língua (L2) que eles mesmos adquiriram nesse país que os acolheu um dia como residentes temporários.

A situação de ensino de língua de herança (LH) se apresenta quando se percebe que há uma comunidade de expatriados cujos filhos estão sendo educados numa cultura e língua que não a dos pais e surge a consciência de que esses bens simbólicos da língua e cultura dos pais não devem ser perdidos pela nova geração de filhos vivendo longe do país de origem dos pais. Geralmente, a iniciativa parte de pais associados numa entidade ou de um clube de mães que concordam em preservar nos seus filhos a língua e a cultura dos pais ou de um deles ao menos. O desejo de formar classes de Língua de Herança precisa invariavelmente de apoios para que suas práticas se estabeleçam em bases sólidas de organização e contemporâneas de ensino e aprendizagem da língua-alvo. Os apoios imediatos são de natureza financeira, metodológica e político-institucional. Os dois últimos carecem da adesão estratégica de universidades, outras instituições superiores já mais desenvolvidas, centros binacionais brasileiros no exterior e do poder público dos países dos pais mediado pelas embaixadas e consulados mantidos no exterior.

Um currículo autêntico de LH ainda não é facilmente consensual, mas discernível em sua natureza específica. Já se fala dele, já se indica essa urgência, já há experiências importantes de línguas como o Espanhol Língua de Herança, mas, no caso de uma língua como o Português brasileiro, por exemplo, estamos até agora envolvidos na construção isolada de planos ou planejamentos de cursos para turmas específicas com essa marca de especialidade. Os cursos que hoje estão em marcha têm uma preocupação com a cultura que deve permear fortemente as experiências de aprendizagem da língua. Se estivermos corretos em interpretar o PLH como uma situação distintiva de língua segunda, o planejamento ganha créditos por ser temático, comunicacional, experiencial e interativo na própria L-alvo, cuidando de ensinar língua-cultura por meio de tarefas e projetos que podem explorar tópicos de interesse dos aprendizes, conteúdos de outras disciplinas do currículo e aspectos culturais relevantes que sustentam essa língua-alvo.

O ensino de PLH precisa ser pensado teoricamente, reconhecendo suas materialidades específicas (plano de curso, materiais, o ensino propriamente e a avaliação de rendimento) e requer que seja vivenciado em estágio no campo (em escolas reais) contemplando formas de trabalho os atores já na L-alvo. Os cursos de LH dependem para seu aperfeiçoamento de muita reflexão sobre seus pressupostos e modos de atuação. É possível que seja útil dividir a experiência total de um curso de LH nos níveis de (1) pré-alfabetização, (2) alfabetização (em simultâneo com o que ocorre já na L1 do país anfitrião, e (3) pós-alfabetização I e II, tornando a criança ou pré-adolescente confiantes no uso da língua após cerca de cinco anos para seguir outros cursos ou até se integrar a cursos regulares de escolas em língua nativa participando dos exames nacionais escolares na língua-alvo.

A realidade organizacional das escolas de PLH é muito díspar, por enquanto. No caso do Português, há professores de outras disciplinas, profissionais de outras áreas acumulando experiência no ensino prático de PLE e há profissionais formados no Ensino de Línguas e de PLE numa proporção muito menor. O perfil do profissional deve aliar a formação de professores para as séries iniciais e para o ensino fundamental a uma formação específica, se possível, formalizada e reflexiva no ensino de PLE. A formação geral para trabalhar com PLE e uma experiência sólida no ensino prático de PLE serão, claro, fundamentais.

Vivemos um despertar promissor no ensino de línguas de herança e no de PLE em particular. Não dispomos ainda de uma política ampla e deliberada no Brasil para formar mais e melhores professores de PLE para contextos brasileiros e do exterior, ambos em trajetória ascendente nos últimos 30 anos. A situação é agravada pelo fato de o Ministério da Educação desconhecer (no sentido de não ter propostas concretas na forma de políticas reais) esse contexto e o Ministério de Relações Exteriores, com mais longa experiência gestora de centros de estudos do Português no exterior, não assumir essa área completamente, deixando-a subsistir como preocupação secundária em meio aos seus objetivos diplomáticos de cerne. O ensino de línguas é, certamente, uma atividade preciosa de diplomacia cultural e essa perspectiva poderia ser explorada pelos agentes oficiais e privados. Em terceiro lugar, as universidades brasileiras acordam com lentidão para o aspecto estratégico dessa área de PLE para o futuro da nação e da língua portuguesa no mundo. Assim, vamos caminhando de modo parcializado, com iniciativas ocasionais de indivíduos e das instituições nem sempre idealmente qualificados, fazendo progressos, obviamente, mas não tirando o máximo proveito dos recursos ainda escassos disponíveis nas especialidades da área de Ensino de Línguas e culturas associadas.

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